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Zona Maco 2025: O mercado de arte latino-americano em efervescência

A Zona Maco, um dos eventos mais relevantes do calendário da arte latino-americana, encerrou sua edição de 2025 no último dia 9 de fevereiro, reafirmando seu papel como termômetro do mercado e plataforma essencial para galerias, colecionadores e curadores. Reunindo cerca de 200 galerias de 29 países no Centro Citibanamex, na Cidade do México, a feira reafirmou sua vocação internacional ao mesmo tempo que manteve um olhar atento sobre a produção local.

A presença de galerias de peso, como Proyectos Monclova, Kurimanzutto e OMR, reforçou a dominância da cena mexicana na feira. O Proyectos Monclova apresentou uma seleção que combinou nomes consagrados e novas apostas, incluindo obras de Yoshua Okón e Alejandra Venegas. A Kurimanzutto destacou artistas como Gabriel Kuri e Minerva Cuevas, enquanto a OMR chamou atenção com esculturas de Gabriel Rico.

Entre os expositores internacionais, a Pace Gallery trouxe duas pinturas de Julian Schnabel, incluindo retratos de Frida Kahlo, enquanto a Mark Straus vendeu um grande trabalho de Antonio Santín logo nas primeiras horas da feira. Outro destaque foi a galeria italiana Lis10, que fez sua estreia com fotografias impactantes de Laetitia Ky, explorando narrativas de identidade e ancestralidade.

Abertura para novas narrativas e mercados

A edição de 2025 evidenciou uma ampliação no olhar curatorial, com uma participação crescente de artistas do Sul Global e uma atenção renovada às práticas contemporâneas emergentes. A seção Zona Maco Ejes, com curadoria de Bernardo Mosqueira, consolidou-se como espaço de descoberta, apresentando projetos híbridos e novas vozes do circuito independente.

Além disso, a presença de 39 novas galerias reforça o interesse crescente na América Latina como um mercado dinâmico e promissor. Em paralelo, o aumento da visibilidade de artistas mulheres e criadores emergentes foi um ponto positivo amplamente discutido pelos visitantes e especialistas.

Tendências e recepção do mercado

O otimismo marcou a Zona Maco 2025, com galeristas relatando vendas expressivas e um alto nível de engajamento de colecionadores internacionais. No entanto, desafios logísticos, como atrasos alfandegários e dificuldades operacionais, ainda foram mencionados como obstáculos a serem superados.

O contexto macroeconômico também esteve em pauta, especialmente diante da recente suspensão de tarifas sobre importações mexicanas para os Estados Unidos. Esse fator gerou um clima de incerteza, mas também incentivou compras antecipadas por parte dos colecionadores norte-americanos.

 

Considerações finais

Combinando tradição e renovação, a Zona Maco segue como referência para o mercado de arte da América Latina. A feira não apenas reafirma a importância da Cidade do México como um dos grandes polos da arte contemporânea global, mas também reforça a visibilidade e o impacto da produção artística latino-americana no circuito internacional.

Para os próximos anos, resta observar como a Zona Maco continuará a expandir seu alcance e consolidar seu papel enquanto espaço de inovação, diálogo e negócios no mundo da arte.

A participação de artistas brasileiros na Zona Maco 2025: Destaques e novas perspectivas

A edição de 2025 da Zona Maco, uma das feiras de arte mais importantes da América Latina, trouxe à tona a riqueza da produção artística brasileira, com a participação de diversos artistas e galerias que exploram a diversidade cultural e as inovações visuais do Brasil. Entre as galerias e artistas presentes, destacaram-se o trabalho da 193 Galleri, da Galeria RGR, da LAMB e da Galeria Secci, que apresentaram nomes importantes da cena contemporânea brasileira.

A 193 Galleri, localizada em Paris e conhecida por suas propostas cenográficas e curadoria de artistas que exploram as intersecções culturais, destacou o trabalho do artista brasileiro Shinji Nagabe. Nascido em São Paulo, Nagabe, que possui ascendência japonesa, utiliza técnicas híbridas para explorar sua identidade cultural. Sua obra mistura fotografias impressas em tecidos com materiais industriais, criando esculturas têxteis que refletem sobre as questões da globalização e a fluidez das identidades. O trabalho de Nagabe foi especialmente apreciado por seu olhar único sobre a adaptação cultural e as complexas trocas culturais de um mundo globalizado.

Shinji Nagabe | O Reino de Deus (2023)

Por sua vez, a Galeria RGR trouxe para a feira as obras de renomados artistas brasileiros como Sérgio Camargo e Marcelo Cidade. Sérgio Camargo, um dos mais importantes escultores brasileiros, foi representado com suas formas abstratas que transcendem a pureza da geometria e da simplicidade. Já Marcelo Cidade, conhecido por sua abordagem crítica e política da arte, apresentou trabalhos que questionam as estruturas sociais e o papel do indivíduo na construção do espaço urbano.

Sergio Camargo | untitled (1979) | Available for Sale | Artsy

Sergio Camargo Untitled (#623 b), 1980-1990 Belgian black 2 4/5 × 5 1/10 × 2 4/5 in | 7 × 13 × 7 cm

A Galeria Secci, com sede em São Paulo, levou para a Zona Maco obras do artista Chico da Silva. A galeria, que tem se destacado pela promoção de artistas com forte vínculo com as raízes culturais brasileiras, trouxe peças de Chico da Silva que dialogam com a tradição do folclore e as narrativas visuais da cultura popular, aproximando a arte contemporânea de elementos da memória coletiva do Brasil.

Outro destaque foi a LAMB, galeria com espaços em Londres e São Paulo, que apresentou uma seleção de artistas brasileiros, reafirmando seu compromisso em promover talentos emergentes de ambas as Américas. A galeria, que se dedica à troca cultural entre o Brasil e a Europa, trouxe obras inovadoras que exploram a abstração e a linguagem visual contemporânea, aproximando a arte brasileira dos mercados internacionais.

A galeria Simões de Assis foi outro grande destaque na Zona Maco 2025, apresentando uma curadoria sofisticada e uma seleção de obras que trazem à tona as complexidades e as influências da tradição abstrato-geométrica da arte latino-americana. A galeria destacou artistas que exploram as linguagens da abstração e da geometria de maneira única, incluindo obras de grandes nomes como Abraham Palatnik, André Azevedo, Ascânio MMM, Diambe, Ione Saldanha, Jean-Michel Othoniel, Manfredo de Souzanetto, Mano Penalva, Miguel Bakun, Mestre Didi, Sérgio Lucena, e Thalita Hamaoui.

Além dessa seleção de artistas consagrados, Simões de Assis também trouxe uma série de obras que exploram a fusão de linguagens e a busca por novos significados na arte contemporânea. Obras de Ione Saldanha, com suas explorações geométricas e experimentações no campo da abstração, atraíram olhares atentos, ao lado de Jean-Michel Othoniel, cujas peças intrigantes exploram as relações entre a luz, o espaço e o movimento. A presença de Abraham Palatnik, um dos mestres da arte cinética, também foi um momento significativo na feira, representando o vínculo entre a arte brasileira e a tradição da vanguarda mundial.

Entre os destaques da exposição, estavam ainda os trabalhos de André Azevedo e Ascânio MMM, cujas obras refletem as pesquisas sobre as possibilidades da geometria e do espaço. As instalações de Manfredo de Souzanetto e as esculturas de Miguel Bakun marcaram presença com seus questionamentos sobre a percepção e a materialidade na arte contemporânea, enquanto os trabalhos de Thalita Hamaoui e Sérgio Lucena trouxeram um olhar renovado sobre a abstração e a experimentação com novos materiais.

A galeria também buscou criar um diálogo transgeracional, unindo artistas veteranos e jovens talentos. O objetivo de Simões de Assis foi proporcionar aos visitantes da Zona Maco uma experiência que transitasse entre o tradicional e o contemporâneo, entre a abstração geométrica e as novas possibilidades de expressão artística. Esse tipo de curadoria ampliou o entendimento sobre a diversidade e a riqueza da arte brasileira, mostrando como a arte do Brasil continua a se reinventar enquanto preserva um forte vínculo com suas tradições.

Manfredo de Souzanetto - Artworks for Sale & More | Artsy

Essas participações refletem não apenas a força da arte brasileira no cenário internacional, mas também o crescente reconhecimento da diversidade cultural do Brasil, que continua a se afirmar na cena global da arte contemporânea. A Zona Maco 2025, ao oferecer um espaço para essas produções, consolidou-se como um palco importante para as novas vozes e práticas do Brasil, reafirmando seu papel como vitrine da arte latino-americana.

 

Referências

https://elpais.com/mexico/2025-02-04/zona-maco-convierte-a-mexico-en-el-epicentro-del-arte-internacional.html

https://www.artmajeur.com/pt/magazine/2-art-news/semana-de-arte-da-cidade-do-mexico-2025-um-olhar-sobre-a-zona-maco-e-tendencias-emergentes/337093

https://www.artsy.net/fair/zona-maco-2025/artworks?artist_nationalities%5B0%5D=Brazilian&page=2

 

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