JANEIRO
Mark Rothko na Fundação Louis Vuitton
A Fundação Louis Vuitton, em Paris, abriu uma retrospectiva de Mark Rothko, exibindo 115 obras, incluindo peças de coleções privadas, como a da família do artista. A mostra percorre sua carreira, desde suas pinturas figurativas nos anos 1930 até suas obras abstratas pós-Segunda Guerra Mundial, destacando suas formas e cores vibrantes.
Phillips realiza primeira venda de arte indígena
Em janeiro, a casa de leilões Phillips realizou sua primeira exposição de arte indígena e nativa contemporânea, com foco em artistas subvalorizados ao longo do tempo. A venda chamou atenção para o crescente interesse por essas obras e a importância de valorizar essas culturas no mercado de arte global.

Jaune Quick-to-See Smith, My Heart Belongs to Daddy (Meu coração pertence ao papai), 1998. Cortesia de Phillips.
FEVEREIRO
Descoberta de mural de Paul Cézanne
Em 16 de fevereiro, Sophie Joissains, prefeita de Aix-en-Provence, anunciou a descoberta de um mural de Paul Cézanne, escondido sob o papel de parede da casa de sua infância. A pintura de 64 pés de comprimento retrata uma cena marítima, surpreendendo o público e revelando uma nova faceta do artista.

Cortesia de Aix ma ville no Facebook Close-up de um mural de Paul Cézanne encontrado na casa de sua infância.
Jeff Koons envia esculturas à Lua com ajuda de Elon Musk
Jeff Koons enviou 125 esculturas para a Lua com a colaboração da SpaceX, de Elon Musk, no dia 15 de fevereiro. A série “Moon Phases” foi lançada em miniatura, acompanhada de NFTs, para representar diferentes fases da Lua, com inspirações em figuras históricas como Cleópatra e Billie Holiday.

O artista Jeff Koons faz história com uma escultura na Lua | CNN
MARÇO
Morte de Richard Serra
O renomado escultor Richard Serra faleceu em 26 de março, aos 85 anos. Serra foi famoso por suas esculturas monumentais de aço que desafiavam noções convencionais de forma e materialidade, deixando um legado marcante na arte contemporânea.
Controvérsia sobre datação de obras de Damien Hirst
Em março, surgiram alegações de que quatro esculturas de Damien Hirst, criadas com animais em formol, foram datadas incorretamente. Investigação revelou que algumas dessas obras, datadas dos anos 1990, foram, na verdade, feitas em 2017. O caso gerou discussões sobre autenticidade e prática de datação no mercado de arte.

A obra The Unknown (Explored, Explained, Exploded), de Damien Hirst, no resort Palms Casino, em Las Vegas, é datada de 1999 pelo artista, mas na verdade é de 2017 © Clint Jenkins/Palms
ABRIL
Abertura da 60ª Bienal de Veneza
Em 20 de abril, a 60ª edição da Bienal de Veneza foi inaugurada, com curadoria de Adriano Pedrosa, que trouxe o tema “Foreigners Everywhere”, abordando figuras marginalizadas. A exposição atraiu 800.000 visitantes e premiou o artista indígena Archie Moore com o Leão de Ouro pelo seu pavilhão representando 65.000 anos de história das Primeiras Nações.
Premiação de artistas na Bienal de Veneza
Na 60ª Bienal de Veneza, a coletiva Mataaho, formada por quatro mulheres maori, recebeu o Leão de Ouro pela melhor participação, com uma instalação têxtil que abordava temas culturais e sociais. Os prêmios de Conquista Vitalícia foram para Anna Maria Maiolino e Nil Yalter, artistas que refletem o espírito da exposição.

O reino da luz. A impressionante instalação de Mataaho ganha o Leão de Ouro
MAIO
Uma Conquista para as Mulheres Surrealistas
Em maio, a arte surrealista ganhou destaque com um recorde histórico para a artista Leonora Carrington. Sua obra Les Distractions de Dagobert de 1945 foi leiloada por impressionantes $28,5 milhões na Sotheby’s de Nova York, superando seu recorde anterior de $3,25 milhões. A venda também eclipsou os recordes de outros surrealistas renomados como Max Ernst e Salvador Dalí. O comprador foi o empresário Eduardo Costantini, conhecido colecionador de arte latino-americana, que já havia tentado adquirir a obra 30 anos antes. Carrington, cada vez mais reconhecida, reflete o crescente interesse e valorização das mulheres no movimento surrealista.

Les Distractions de Dagobert. Imagem cortesia da Sotheby’s
Charles III Revela Seu Primeiro Retrato Oficial Como Rei
Em maio, o rei Charles III revelou seu primeiro retrato oficial desde sua coroação. A obra, criada pelo artista Jonathan Yeo, retrata o monarca em uniforme dos Welsh Guards, ao qual ele se dedicou por décadas. O retrato, que combina tons ricos de vermelho, laranja e marrom, apresenta Charles em um momento relaxado, com uma borboleta-monarca pousando em seu ombro. Yeo comentou sobre a transformação do retrato, comparando-o ao papel evolutivo do rei na vida pública do Reino Unido.

Rei Carlos III e uma história de retratos reais polares – The New York Times
JUNHO
Guarda-Roupa Pessoal de Vivienne Westwood Vai a Leilão
Em junho, o leilão Westwood World: The Personal Collection, realizado na Christie’s de Londres, arrecadou aproximadamente meio milhão de libras, com a totalidade dos 95 lotes vendidos. O evento apresentou itens do guarda-roupa pessoal da icônica estilista britânica Vivienne Westwood, e os lucros foram destinados a organizações de caridade que ela apoiava, como a The Vivienne Foundation, Amnesty International, Médecins Sans Frontières e Greenpeace. O leilão atraiu um público jovem, com 42% dos licitantes pertencendo às gerações Millennials e Gen Z, refletindo a adaptação das casas de leilão a um mercado em transformação.
JULHO
Controvérsia na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas de Paris
Em 26 de julho, uma performance controversa durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2024, em Paris, gerou discussões acaloradas. A cena foi interpretada por algumas pessoas como uma paródia da famosa obra A Última Ceia de Leonardo da Vinci, especialmente devido à presença de drag queens e sua semelhança com a representação cristã. No entanto, os organizadores esclareceram que a performance se baseava, na verdade, em um banquete grego antigo, e não visava ofender a religião cristã.
Em entrevista, o diretor da cerimônia, Thomas Jolly, ele afirmou que não tinha a intenção de ser subversivo, mas de transmitir uma mensagem de amor e inclusão. O evento de quatro horas também foi marcado por apresentações ao longo do Rio Sena e uma nova interpretação da tradicional parada das nações, com performances ao longo do trajeto até a Torre Eiffel.

Uma pintura holandesa do século XVII de Jan Harmensz van Biljert de deuses gregos em um banquete, sentados em uma longa mesa com Apolo com uma auréola dourada no centro. A pintura pode ter sido usada como referência na cerimônia de abertura das Olimpíadas, em vez de A Última Ceia.
AGOSTO
As Ninféias de Claude Monet na Christie’s Hong Kong
A obra Ninféias, parte da primeira série de lírios d’água de Claude Monet, fez sua estreia em leilão após 125 anos, sendo arrematada por impressionantes HKD 233.375.000 (US$ 30,1 milhões) na Christie’s, em Hong Kong. Estimada entre HKD 200.000.000 e 280.000.000, a pintura faz parte de uma das séries mais importantes do artista, sendo uma das apenas oito obras dessa série, quatro das quais estão em museus renomados como o Musée Marmottan Monet em Paris e o Los Angeles County Museum of Art. Pintada entre 1897 e 1899, Ninféias é uma das primeiras explorações de Monet no lago de lírios em seu jardim em Giverny, e marca um momento crucial em sua obra ao eliminar a linha do horizonte, imergindo o espectador no centro da cena e destacando a harmonia entre cor e luz. Essas investigações levariam à criação das Grandes Decorações, atualmente no Musée de l’Orangerie em Paris.

Claude Monet (1840 – 1926), Nymphéas, óleo sobre tela, 73,3 x 101 cm, pintado por volta de 1897-1899. Foto © Christie’s
NOVEMBRO
A Banana de Maurizio Cattelan é vendida por $6,24 milhões
O mercado de arte esteve instável durante todo o ano, mas isso não impediu que a obra icônica de Maurizio Cattelan, Comedian (2019), atingisse valores impressionantes. A famosa banana presa com fita adesiva à parede foi vendida por $6,24 milhões no leilão “Now and Contemporary” da Sotheby’s em Nova York, em novembro. O comprador foi o bilionário empreendedor nascido na China e residente em Nova York, Justin Sun, que pagou pela obra com a criptomoeda que criou, a TRON, em uma jogada de marketing astuta.
Entre os outros licitantes estavam os colecionadores de arte digital Ryan Zurrer e Cozomo de’ Medici, que planejaram exibir a fruta por meio de um “mecanismo criativo cripto-nativo”. Embora o mercado de NFTs ainda enfrente dificuldades, as criptomoedas voltaram com força, impulsionadas pelas expectativas de uma administração alinhada com o setor cripto. Comedian, com sua provocação artística e conceito controverso, encontrou fãs entre os entusiastas das criptomoedas. Se os preços continuarem a subir, podemos esperar um novo delúgio de investimentos cripto em 2025.

Justin Sun, que deu o lance mais alto, comendo a banana.
Pintura de René Magritte, O Império da Luz, é vendida por $121,1 milhões e bate recorde de leilão
No dia 19 de novembro, a pintura O Império da Luz (1954), de René Magritte, foi vendida por US$ 121,1 milhões na Christie’s, estabelecendo um novo recorde de preço para uma obra surrealista e para o próprio artista. A obra, que faz parte de uma série de 27 pinturas explorando o paradoxo de uma paisagem noturna sob um céu iluminado pelo sol, foi estimada em US$ 95 milhões, superando o recorde anterior de US$ 79 milhões, alcançado em 2022.
A pintura foi adquirida após uma disputa acirrada de quase 10 minutos e foi parte da coleção privada de Mica Ertegun, uma influente designer de interiores. A venda de O Império da Luz se destacou na temporada de leilões de outono em Nova York, que, apesar da desaceleração do mercado de arte desde o ano anterior, ainda gerou números expressivos, com a Christie’s arrecadando US$ 2,1 bilhões na primeira metade do ano. Durante o mesmo leilão, a pintura Standard Station, Ten-Cent Western Being Torn in Half (1964), de Ed Ruscha, também alcançou um novo recorde, vendendo por US$ 68,26 milhões.

A obra-prima de Magritte ‘L’Empire des lumières’ é vendida por um valor recorde de US$ 121 milhões em um leilão em Nova York | The Bulletin
DEZEMBRO
Escultura perdida de Camille Claudel será leiloada por até $2 milhões
Uma escultura de bronze de Camille Claudel, A Idade da Maturidade (1894), foi recentemente descoberta em um apartamento vazio em Paris e está prevista para ser leiloada por um valor entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões. A obra, que representa a figura da “Juventude” como uma mulher agachada em direção à “Maturidade”, deve alcançar um preço recorde na França para a artista, caso atinja a estimativa. O leilão ocorrerá na Philocale Auction House, em Orleans, França, em 16 de fevereiro de 2025.
Camille Claudel, conhecida por sua relação tumultuada com Auguste Rodin, foi uma escultora inovadora, mas seu trabalho foi frequentemente ofuscado por sua vida pessoal e pela falta de reconhecimento das mulheres artistas na época. A descoberta da escultura foi uma reviravolta importante para o legado da artista, que morreu em relativa obscuridade após ser internada em um hospital psiquiátrico por sua família. Sua obra tem ganhado maior reconhecimento nos últimos anos, com retrospectivas em museus importantes, como o Getty Museum e o Art Institute of Chicago, e uma exposição programada para 2025 na National Gallery de Berlim.

Obras de Camille Claudel (1864-1943), por volta de 1900 à esquerda, modelo mestre em bronze, fundido por E. Blot, 1908 à direita, bronze (fundido por E. Blot nº 1). A. 32,5 cm – L. 27,2 cm – P. 31 cm Adquirido da Reine-Marie Paris em 2008.
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