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Radar contemporâneo: Wael Shawky

Wael Shawky é uma figura emblemática na arte contemporânea, aclamado por sua capacidade de transformar eventos históricos, mitologias e questões sociais em narrativas visuais instigantes.

Recentemente reconhecido como o 6º artista mais influente pela ArtReview em sua lista Power 100, sua trajetória é marcada por prêmios prestigiosos, exposições de impacto global e projetos educacionais visionários. Este perfil explora sua trajetória, poética e principais realizações, celebrando sua relevância na arte contemporânea.

 

Trajetória: das tradições locais ao reconhecimento global

Nascido em Alexandria, Egito, em 1971, Shawky passou parte de sua infância em Meca, na Arábia Saudita, uma experiência que influenciou profundamente sua visão artística. Ele testemunhou de perto a transformação de uma sociedade tradicional para uma modernizada, um contraste que definiu sua sensibilidade ao impacto das mudanças culturais e sociais.

Após concluir seus estudos na Universidade de Alexandria, Shawky aprofundou sua formação nos Estados Unidos, na Universidade da Pensilvânia. Essa combinação de raízes egípcias e exposição global moldou uma visão única que permeia seu trabalho.

Shawky emergiu na cena internacional com projetos inovadores que desafiam as noções convencionais de narrativa e identidade cultural. Sua obra tem sido exibida em instituições de prestígio como o Louvre Abu Dhabi, MoMA PS1 em Nova York, Castello di Rivoli na Itália e ARoS Kunstmuseum na Dinamarca. Participações marcantes em bienais, como a Bienal de Veneza, Documenta 13 e Bienal de Istambul, solidificaram sua posição como um dos artistas mais influentes de sua geração.

Além de sua prática artística, Shawky fundou, em 2010, a escola independente MASS Alexandria, dedicada à formação de jovens artistas no Egito. Recentemente, ele foi nomeado diretor artístico do Fire Station em Doha, Catar, onde lidera um programa de residências artísticas e desenvolve um espaço educacional para fomentar diálogos culturais.

MASS Alexandria, 2012 Program

Poética: história, mitologia e identidade

A poética de Wael Shawky é profundamente enraizada na investigação histórica e na reconstrução crítica de narrativas. Suas obras utilizam mídias diversas, como vídeo, escultura, pintura, música e performance, para abordar questões de identidade, religião, política e memória coletiva.

Um aspecto central de sua obra é a releitura de eventos históricos, frequentemente explorando-os a partir de perspectivas não ocidentais. Na trilogia “Cabaret Crusades” (2010-2015), Shawky reconta as Cruzadas sob a ótica árabe, utilizando marionetes meticulosamente criadas para dar vida a essas histórias. As marionetes, feitas de materiais como vidro de Murano e cerâmica, oferecem um contraste entre a beleza estética e a brutalidade dos eventos narrados.

Wael Shawky: Cabaret Crusades | MoMA

Outro exemplo notável é a série “Al Araba Al Madfuna”, na qual crianças são usadas como atores para interpretar narrativas mitológicas e históricas. Essas obras, com sua estética onírica, misturam realidade e ficção, desafiando o público a questionar as versões oficiais da história.

Shawky também explora a relação entre modernidade e tradição em obras como “The Cave” (2013), onde caminha por um supermercado recitando versos do Alcorão. Este vídeo instiga reflexões sobre a coexistência – ou tensão – entre espiritualidade e consumismo.

Em “Drama 1882”, sua mais recente obra-prima exibida na Bienal de Veneza 2024, Shawky usou atores profissionais pela primeira vez para narrar a Revolta de Urabi, que marcou o início do fim do imperialismo britânico no Egito. Com cenários em tons de rosa e uma narrativa operística, o filme demonstra como Shawky habilmente mistura estética lúdica e crítica sociopolítica.

From Venice to Alexandria: Wael Shawky's 'Drama 1882' Returns Home

Principais realizações e reconhecimento internacional

A carreira de Wael Shawky é pontuada por exposições de grande alcance e prêmios de prestígio. Ele foi agraciado com o Mario Merz Prize (2015), o Abraaj Capital Art Prize (2012) e o Prêmio de Oeuvre Fílmica criado por Louis Vuitton e Kino der Kunst (2013).

Entre suas exposições recentes estão:

  • “I Am Hymns of the New Temples” (2023), no Museo di Palazzo Grimani, Veneza, resultado de uma colaboração com o Parque Arqueológico de Pompeia.
  • Exposição no Museu de Arte de Daegu, Coreia do Sul (2024), que conecta mitos egípcios e pompeianos.
  • Retrospectiva no Louvre Abu Dhabi (2020), destacando seu impacto global.

Além disso, sua presença em bienais como Documenta 13 (2012), Bienal de Istambul (2015) e Bienal de Sharjah (2013) reafirma seu papel como um dos artistas mais proeminentes do cenário contemporâneo.

Mais do que criar arte, Shawky dedica-se a formar novas gerações de artistas. A MASS Alexandria, escola fundada por ele, serviu como um espaço de experimentação e troca para jovens artistas no Egito. Agora, no Fire Station em Doha, ele planeja expandir essa visão, transformando o local em um epicentro de aprendizado e colaboração.

Wael Shawky transcende as definições tradicionais de artista. Sua habilidade de reinterpretar o passado e conectá-lo ao presente cria obras que não apenas encantam visualmente, mas também provocam reflexões profundas sobre questões globais. Ao mesclar história, mitologia e crítica social, ele convida o público a reimaginar narrativas e a questionar as estruturas de poder e identidade.

Em uma época marcada por rápidas transformações culturais, a arte de Shawky é um lembrete poderoso do papel da narrativa na preservação – e reinvenção – da memória coletiva.

 

Referências

https://artreview.com/power-100/

https://artreview.com/artist/wael-shawky/?year=2024

https://www.mleuven.be/en/programme/wael-shawky

https://www.lissongallery.com/artists/wael-shawky

https://www.artsy.net/artist/wael-shawky/about

 

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