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Radar Contemporâneo: Laís Amaral – Uma voz emergente na arte contemporânea

A artista brasileira Laís Amaral tem se consolidado como uma das vozes mais impactantes da cena artística contemporânea. Sua inclusão na prestigiada lista Artsy Vanguard 2025 no último mês é um reconhecimento de sua trajetória singular e da profundidade conceitual de sua obra. Amaral explora temas como justiça racial, identidade, colapso ambiental e as interseções entre arte e artesanato, desafiando as fronteiras tradicionais da abstração e promovendo um diálogo crítico sobre questões sociopolíticas.

Nascida em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, em 1993, Amaral cresceu imersa em práticas manuais, como bordados e joias artesanais, produzidas por sua família. Essas experiências formaram a base de sua prática artística, ainda que, à época, fossem vistas como “artesanato”, não como “arte”. Sem acesso a uma formação artística formal, Amaral escolheu estudar Serviço Social na Universidade Federal Fluminense, trabalhando como assistente social até 2023. Foi em 2017, ao cofundar o coletivo Trovoa em Niterói, que ela encontrou o caminho definitivo para as artes visuais.

Trovoa, formado por mulheres não-brancas, buscava questionar e desestabilizar as narrativas tradicionais do sistema artístico, abordando temas de raça e gênero. A convivência intensa no coletivo, unindo diferentes perspectivas e histórias, foi um marco para Amaral, que descreve o grupo como um “destino” em sua vida. Suas primeiras experiências artísticas no Trovoa incluíram a pintura em superfícies recuperadas das ruas, um reflexo das limitações materiais que moldaram sua criatividade inicial.

 

Laís Amaral's Geometric Paintings Bridge Abstraction and Activism | Artsy

Hoje, Amaral é reconhecida por suas pinturas abstratas de múltiplas camadas, nas quais utiliza ferramentas inusitadas, como pentes e instrumentos de manicure, para criar padrões geométricos e texturas que dialogam com sua história pessoal e a coletividade. Em suas palavras, “o ato de pintar é um vazamento”, uma resposta aos processos de desertificação tanto ambientais quanto sociais que observa ao seu redor.

A desertificação, tema central em sua obra recente, é abordada como metáfora para o “embranquecimento” – uma dinâmica histórica que molda a sociedade brasileira, privando-a de sua diversidade cultural. A partir dessa reflexão, Amaral desenvolve composições que evocam paisagens fragmentadas, intercalando referências naturais e urbanas. Sua pintura “O sol na altura dos olhos” (2024), por exemplo, explora a tensão entre urbanização e natureza, uma constante em seu trabalho.

Nos últimos anos, Amaral conquistou espaço em instituições de renome, como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e Mendes Wood DM, onde realizou sua primeira exposição individual na Europa em 2023, intitulada Estude Fundo. Em 2024, sua mostra What Happens at the Seaside at Dawn? em Nova York reafirmou seu status internacional.

Críticas sobre seu trabalho, no entanto, nem sempre captaram a essência de sua prática. Amaral ressalta que muitas vezes sua obra é comparada a artistas europeus ou associada de forma superficial à estética das favelas cariocas, desvios que revelam preconceitos estruturais no campo artístico. Para Amaral, é essencial criar espaços onde artistas possam experimentar sem julgamentos e onde as interpretações de suas obras sejam mais fundamentadas.

A inclusão de Laís Amaral na lista Artsy Vanguard 2025 celebra não apenas seu crescimento meteórico, mas também sua capacidade de transformar histórias pessoais e coletivas em narrativas visuais universais. Sua arte transcende barreiras, convidando o público a refletir sobre as complexas relações entre identidade, natureza e sociedade. Com um futuro brilhante pela frente, Amaral se firma como uma figura essencial para compreender a arte contemporânea brasileira e seus desdobramentos no cenário global.

 

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SEM TÍTULO, DA SÉRIE PARA NÃO ESQUECER DE CASA, 2021 Acrílica sobre tela, 170 x 135 cm. Foto: reprodução/Site Hoa Galeria

 

LAÍS AMARAL | PROJETO AFRO

SEM TÍTULO, DA SÉRIE PARA NÃO ESQUECER DE CASA, 2021 Acrílica sobre tela, 170 x 150 cm. Foto: reprodução/Site Hoa Galeria

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