O mercado de arte atualmente é altamente globalizado, e as disputas tarifárias que vêm dominando os noticiários desde a posse do presidente norte-americano Donald Trump também impactam esse setor. Recentemente, a imposição de tarifas sobre o México gerou preocupações entre galerias, artistas e colecionadores, especialmente com a aproximação da Semana da Arte da Cidade do México.
Com a assinatura de ordens executivas estabelecendo tarifas de 25% sobre produtos mexicanos, muitas galerias locais e internacionais que participam das feiras de arte na Cidade do México ficaram incertas quanto aos impactos financeiros. Apesar de um adiamento inicial dessas tarifas, a possibilidade de sua implementação ainda gera inquietação no setor.
Issa Benitez, fundadora da galeria Projeto Paralelo e vice-presidente da associação de galerias GAMA, destacou à ArtNews que essas incertezas afetam tanto o mercado de arte quanto a economia mexicana como um todo. A desvalorização do peso frente ao dólar é um fator histórico de preocupação, pois pode elevar os custos operacionais das galerias e dificultar as transações com compradores internacionais.
Outro fator relevante é a falta de comunicação entre o governo mexicano e as galerias de arte. Enquanto algumas instituições conseguiram estabelecer diálogos pontuais em momentos de crise, a ausência de um canal permanente de negociação dificulta a previsibilidade do setor.
Galerias como a Proyectos Monclova, que participa regularmente de feiras internacionais como a Frieze e a Art Basel, também demonstram preocupação com o impacto das tarifas nas transações comerciais. No entanto, por operarem como empresas registradas nos EUA, algumas delas conseguem reduzir os efeitos diretos das tarifas em suas operações. Mesmo assim, os custos de transporte e armazenamento de obras de arte podem aumentar, o que impacta a precificação das peças e a tomada de decisão por parte dos colecionadores.
Apesar da incerteza econômica, alguns especialistas do setor acreditam que o mercado de arte mexicano possui resiliência. Para consultores de arte como Ana Sokoloff, o maior impacto pode não estar na decisão de compra dos colecionadores, mas sim nos custos de logística e armazenamento das obras. Os impostos podem afetar materiais necessários para produção artística, o que, a longo prazo, poderia influenciar os preços do mercado.
Com a abertura iminente da feira Zona Maco e de eventos paralelos, o setor aguarda para avaliar os efeitos concretos dessa incerteza econômica.