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Glossário da arte: Arte Digital

A arte digital é um campo artístico que integra tecnologia como parte essencial do processo criativo ou da apresentação. Trata-se de uma forma revolucionária de expressão artística que rompeu barreiras tradicionais, transformando completamente a forma como a arte é concebida, produzida, distribuída e apreciada. Neste artigo, exploraremos como essa vertente nasceu, seus principais marcos históricos e suas características essenciais.

A origem da arte digital remonta às décadas de 1950 e 1960, quando o avanço tecnológico começou a moldar diversas áreas da sociedade, incluindo as artes. Um marco fundamental foi a formação do coletivo Experimentos em Arte e Tecnologia (EAT) em 1967, composto por engenheiros e artistas como Billy Klüver e Robert Rauschenberg. Este grupo explorava a integração entre arte e tecnologia, criando obras que combinavam circuitos elétricos, projeções de vídeo e som.

Billy Klüver and Robert Rauschenberg, 1966 Yale Joel/The LIFE Picture Collection/Getty Images

Uma das primeiras manifestações reconhecíveis da arte digital foi o trabalho “Young Nude” (1967), de Kenneth C. Knowlton e Leon Harmon, que utilizou pixels digitais para transformar uma fotografia em arte computadorizada. Este momento simbolizou a transição das ferramentas analógicas para as digitais, marcando o início de uma nova era criativa.

Computer Nude (Studies in Perception I) | Buffalo AKG Art Museum

Computer Nude (Studies in Perception I) | Buffalo AKG Art Museum

Evolução ao Longo das Décadas

A arte digital ganhou força na década de 1970 com o desenvolvimento de computadores pessoais como o Apple II e o advento do modem, que permitiram a criação e a transmissão de arte em formatos digitais. Artistas como Nam June Paik, pioneiro da videoarte, expandiram as possibilidades de conectividade e comunicação através de meios tecnológicos.

Na década de 1980, ferramentas como Adobe Photoshop e Illustrator democratizaram o acesso à criação artística digital. Essa evolução técnica foi acompanhada por projetos inovadores, como “Good Morning, Mr. Orwell” (1984), uma instalação transmitida via satélite por Nam June Paik, que demonstrou como a “superestrada eletrônica” podia disseminar a arte em escala global.

A partir dos anos 1990, a internet e o surgimento das redes sociais transformaram a arte digital em uma plataforma acessível e colaborativa. Essas ferramentas permitiram que artistas independentes compartilhassem suas obras globalmente, ampliando a diversidade e a inovação.

작품] 백남준, Good Morning Mr. Orwell, 1984 : 네이버 블로그

Frame de “Good Morning, Mr. Orwell” (1984), uma instalação transmitida via satélite por Nam June Paik

Características Principais da Arte Digital

  1. Uso de Tecnologias Avançadas
    A arte digital incorpora dispositivos e softwares como câmeras digitais, tablets gráficos, aplicativos de realidade virtual e inteligência artificial.
  2. Interatividade
    Muitas obras digitais envolvem o espectador de forma ativa, como instalações interativas e experiências imersivas de realidade aumentada.
  3. Flexibilidade e Acessibilidade
    Diferentemente das formas tradicionais, as obras digitais podem ser facilmente transportadas, replicadas e exibidas em plataformas online, democratizando seu alcance.
  4. Convergência de Mídias
    A arte digital une linguagens como som, imagem, vídeo e programação, ampliando os limites do que é considerado arte.

 

Cenario nacional

No Brasil, a arte digital apresenta um panorama multifacetado e inovador, refletindo tanto as influências globais quanto as particularidades culturais do país. Combinando tecnologia e criatividade, artistas brasileiros vêm explorando possibilidades únicas em campos como artes visuais, moda, música e arquitetura.

Uma das principais pioneiras da arte digital no Brasil, Giselle Beiguelman, vem explorando os limites da tecnologia na arte desde os anos 2000. Seu projeto Poétrica exemplifica a interação entre o espaço público e a arte digital, ao transformar mensagens de SMS em textos exibidos em outdoors digitais em São Paulo. Este tipo de iniciativa transcendeu o uso convencional da tecnologia e abriu espaço para investigações artísticas nos domínios físico e virtual.

Em parceria com o artista Ilê Sartuzi, Beiguelman também criou Nhonhô (2021), um documentário virtual sobre o casarão Nhonhô Magalhães, combinando reconstrução 3D e inteligência artificial. Este trabalho ilustra como as ferramentas digitais podem reimaginar a história e os espaços físicos, propondo novos diálogos entre arte, tecnologia e memória.

Media Art Net | Beiguelman, Giselle: Poetrica

Giselle Beiguelman, «Poetrica», 2003 São Paulo, Avenida Consolação | Photograph: Helga Stein | © Giselle Beiguelman

No Brasil, a arte 3D tem unido diferentes gerações de artistas em projetos colaborativos e experimentais. O Museu Nacional da República, por exemplo, promoveu a exposição digital Segue em Anexo, com obras de Beiguelman, Vitória Cribb e Bruno Kowalski, marcando o início de seu acervo digital.

Vitória Cribb, uma jovem artista indicada ao Prêmio PIPA, utiliza tecnologias 3D para criar espaços virtuais imersivos e avatares detalhados. Projetos como @Ilusão exploram a imaginação de realidades múltiplas, indo além da simples simulação, e posicionam a arte digital como campo de experimentação e reflexão.

A pandemia de COVID-19 impulsionou a adoção de ferramentas digitais em setores como a moda. No Brasil, colaborações como a de Rodrigo de Carvalho com a marca Another Place resultaram em desfiles virtuais inovadores. Além disso, a Brazil Immersive Fashion Week (BRIFW) destacou o uso de realidade aumentada em apresentações de moda e arte, evidenciando a integração entre criatividade e tecnologia.

No campo do design sonoro, o trabalho de Higo Joseph, como a vídeo-instalação Simbiose, combina objetos 3D e sons coletados na internet para criar experiências sensoriais únicas. Suas esculturas digitais desafiam o público a repensar o destino de protótipos digitais descartados.

Plataformas como o MAM Rio 3D têm democratizado o acesso à arte no Brasil, permitindo que visitantes virtuais explorem exposições de maneira interativa. Durante a pandemia, o projeto AINDA MT NADA, de Felipe Barsuglia e Yan Copelli, trouxe artistas como Vitória Cribb para criar intervenções digitais participativas.

Caminhos alternativos online para a arte - Editorial - SP-Arte

https://www.aindamtnada.com/

O impacto na sociedade contemporânea

Hoje, a arte digital está profundamente entrelaçada com a cultura contemporânea. Artistas utilizam ferramentas como crowdsourcing e redes sociais para financiar e divulgar suas obras, alcançando públicos antes inimagináveis. Além disso, projetos que exploram temas como o espaço sideral, realidades alternativas e questões sociais estão em constante expansão, evidenciando o papel transformador da arte digital.

À medida que a tecnologia avança, a arte digital continua a se reinventar, estabelecendo-se como uma força criativa indispensável e refletindo o dinamismo do mundo moderno. De fato, mais do que um movimento artístico, ela se tornou uma linguagem universal que transcende fronteiras e conecta culturas.

A arte digital não apenas abriu novas possibilidades criativas, como também redefiniu o conceito de arte na era contemporânea. Seu legado reflete a união entre inovação tecnológica e expressão humana, garantindo que essa forma de arte continue a evoluir e inspirar futuras gerações.

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