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Art Basel Miami 2024: um balanço com foco na presença brasileira

A Art Basel Miami Beach, realizada de 6 a 8 de dezembro no Miami Beach Convention Center, mais uma vez se consolidou como um dos eventos mais prestigiados do calendário global das artes. Com a participação de 286 galerias de 38 países, a feira teve uma presença significativa de artistas e galerias brasileiros, demonstrando que o país continua a exercer influência no mercado internacional, ao mesmo tempo em que reafirma a relevância de artistas emergentes e consagrados no cenário nacional contemporâneo. Nós analisamos vários e artigos e relatórios de vendas e te contamos aqui os principais detalhes!

O Brasil foi representado por 22 galerias, entre veteranas e estreantes, que ocuparam espaços importantes na feira, como as seções Galleries, Nova, Positions e Survey. As galerias brasileiras trouxeram uma diversidade impressionante de propostas artísticas à Art Basel Miami 2024, reforçando a riqueza e a complexidade da produção cultural do país. Representando diferentes gerações, movimentos e perspectivas, elas exibiram obras que dialogaram com temas contemporâneos globais, como questões identitárias, sustentabilidade, ancestralidade e espiritualidade, ao mesmo tempo em que destacaram a singularidade das expressões brasileiras. Algumas delas, como A Gentil Carioca, Almeida & Dale Galeria de Arte e Luisa Strina, são nomes estabelecidos no circuito internacional e contribuíram para reforçar a presença brasileira na principal seção da feira, destinada a galerias de alto renome.

Art Basel 2024: estande da galeria carioca Portas Vilaseca.

Galeria Portas Vilaseca na Art Basel Miami 2024. Foto: Courtesy of Art Basel

 

Veteranas Brasileiras

A Galeria Raquel Arnaud, celebrando cinco décadas de atuação, apresentou uma curadoria meticulosa com obras de Sérgio Camargo. Suas esculturas exploraram o diálogo entre luz e forma, exibindo superfícies impecavelmente esculpidas que revelavam tanto a materialidade quanto a leveza intrínseca de sua arte. Essa apresentação foi um marco para reafirmar o legado do artista no contexto internacional e atraiu grande interesse de colecionadores que buscam obras icônicas do modernismo brasileiro.

Por sua vez, a Luisa Strina apresentou um conjunto vibrante de artistas que combinavam trajetórias consolidadas com nomes emergentes. Anna Maria Maiolino foi um dos destaques, com peças que combinavam performance, desenho e escultura para investigar os limites da linguagem e da existência. No entanto, foi Luisa Matsushita quem roubou os holofotes com sua abordagem interdisciplinar. Suas obras, que exploram as interseções entre som, imagem e corpo, despertaram um diálogo fascinante entre críticos e o público.

A Mendes Wood DM, com sua habitual habilidade em combinar o contemporâneo com o histórico, exibiu trabalhos de Sonia Gomes e Paulo Nazareth. As esculturas têxteis de Gomes, profundamente enraizadas em sua herança afro-brasileira, chamaram atenção pela sua expressividade poética, enquanto as obras de Nazareth desafiaram as narrativas coloniais e revisitaram as complexas interseções entre geografia e identidade.

A Nara Roesler também se destacou, apostando em artistas de renome internacional e obras de grande escala. As peças de Julio Le Parc e Daniel Senise reafirmaram a excelência técnica e a relevância conceitual desses artistas no circuito global. Além disso, a presença de obras de Abraham Palatnik ressaltou a força do cinetismo brasileiro, atraindo um público interessado em práticas que cruzam arte e ciência.

Outro ponto de destaque foi a contribuição da Gomide&Co, que trouxe uma cuidadosa seleção de artistas modernistas brasileiros. Obras de Miriam Inez da Silva receberam atenção especial, marcando uma redescoberta da artista e contribuindo para uma reavaliação crítica de sua importância no modernismo brasileiro. A escolha por peças que exploravam cores vibrantes e temas sociais foi bem recebida, especialmente por colecionadores em busca de narrativas que cruzassem o passado e o presente.

Art Basel Miami 2024: Galeria Marília Razuk na Art Basel Miami.

Galeria Marilia Razuk apresenta exposição da artista chilena Seba Calfuqueo. Foto: Courtesy of Art Basel

Estreantes e Propostas Inovadoras

Galerias menores, mas inovadoras, também brilharam. A Carmo Johnson Projects apresentou obras do coletivo indígena MAHKU, que traduziram tradições Huni Kuin em narrativas visuais e sonoras. Essa participação foi um ponto de convergência entre arte contemporânea e práticas ancestrais, despertando o interesse de instituições internacionais que buscam ampliar suas coleções com obras que dialogam com a diversidade cultural e a sustentabilidade.

A Verve destacou Randolpho Lamonier, cujas instalações exploraram a memória afetiva e as dinâmicas urbanas. Suas obras, compostas por objetos encontrados e materiais cotidianos, criaram um impacto visual intenso, ao mesmo tempo em que sugeriam histórias implícitas que conectavam o espectador a temas como transitoriedade e pertencimento.

Art Basel Miami 2024: na foto, estande da galeria Verve, uma das estreantes.

Art Basel Miami 2024: na foto, estande da galeria Verve, uma das estreantes.

Já a Galatea surpreendeu com a apresentação de José Adário dos Santos na seção Survey, focada em artistas históricos. Suas esculturas, profundamente inspiradas pela espiritualidade afro-brasileira e pelos rituais associados a Ogum, apresentaram uma perspectiva única, integrando o misticismo à materialidade.

Impacto no Mercado

As galerias brasileiras obtiveram vendas robustas, reafirmando o potencial comercial e a qualidade de seus artistas. Entre os destaques:

  • Nara Roesler reportou a venda de uma obra de Julio Le Parc por €375.000, além de uma peça de Daniel Senise por US$100.000.
  • A Gomide&Co atraiu atenção com pinturas de Miriam Inez da Silva, reforçando a redescoberta de artistas históricas do modernismo brasileiro.
  • Portas Vilaseca registrou vendas consistentes com sua instalação de esculturas, que chamou atenção de colecionadores e instituições.

No geral, a Art Basel Miami 2024 revelou um mercado vibrante e diversificado. Vendas de sete dígitos, como as relatadas por grandes galerias internacionais, demonstraram a força contínua do evento como uma plataforma global para negócios significativos no setor. Embora os recordes mais altos tenham sido dominados por galerias blue-chip, o crescimento nas seções como Nova e Positions apontam para um aumento do interesse em artistas emergentes, algo do qual as galerias brasileiras se beneficiaram diretamente.

Tendências e Futuro

O crescimento do interesse em narrativas não ocidentais e a valorização de práticas sustentáveis e inclusivas foram evidentes nesta edição. A diretora Bridget Finn enfatizou a importância de incluir mais galerias de médio e pequeno porte na seção principal, uma decisão que se refletiu na estreia de 25 novos expositores. Essa estratégia, junto à curadoria inovadora do setor Meridians, permitiu à Art Basel expandir seu apelo, atraindo novos colecionadores e públicos diversificados.

A forte performance das galerias brasileiras na Art Basel Miami 2024 não apenas reforça sua relevância no mercado internacional, mas também abre caminhos para uma maior integração de artistas brasileiros em coleções globais e exibições institucionais. À medida que o mercado de arte se torna mais conectado e interseccional, o Brasil está posicionado como um ator-chave, tanto pela riqueza de sua produção contemporânea quanto pela profundidade de seu legado cultural.

 

Zilia Sanchez's work on Galerie Lelong & Co.'s booth at Art Basel Miami Beach 2024

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