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A importância da feira Design Miami 2024 e a notável presença brasileira no cenário internacional do design

A Design Miami 2024 consolidou sua posição como uma das principais plataformas de arte contemporânea e design no cenário global. Realizada em paralelo à semana da Art Basel Miami Beach, a feira atraiu colecionadores, curadores, artistas e entusiastas de todo o mundo, apresentando um conjunto diversificado de obras que dialogam com as mais relevantes questões da atualidade. Neste ano, a exposição trouxe reflexões profundas sobre sustentabilidade, identidade cultural e a integração entre arte, design e tecnologia. Em meio a tantas propostas inovadoras, o Brasil teve uma presença marcante, com galerias e designers que destacaram as particularidades da produção nacional no contexto da criação contemporânea. Nós analisamos diversos artigos e relatórios e te contamos aqui os maiores destaques!

A Design Miami, reconhecida por sua capacidade de unir tradição e inovação, apresentou peças que capturaram a atenção pela inventividade e pelo impacto visual. Obras como as esculturas luminosas de Christopher Baker, compostas por tecidos raros e elementos metálicos sofisticados, demonstraram um domínio técnico que vai além da funcionalidade, elevando o design ao status de arte. Da mesma forma, os trabalhos de Kyeok Kim, que utiliza fios de cobre revestidos com laca coreana para criar esculturas intrincadas e delicadas, trouxeram uma sensibilidade única, borrando as linhas que tradicionalmente separam arte e artesanato.

christopher baker sculptural lamp with textile and metal elements

CHRISTOPHER BAKER, SCULPTURAL LIGHTING

No entanto, não foi apenas o internacionalismo da Design Miami que impressionou. A feira também evidenciou o poder das narrativas locais e das tradições culturais reinterpretadas. Essa sinergia foi exemplificada pela instalação de Zhu Jinshi, um artista de Pequim, que utilizou mais de 16.000 folhas de papel de arroz em sua obra monumental. A peça, apresentada pela Pearl Lam Galleries, simbolizou a complexidade da condição humana em um mundo fragmentado, destacando como a arte pode atuar como um espaço de reconciliação e diálogo.

pathway by zhu jinshi at art basel

ZHU JINSHI, PATHWAY SCULPTURE

Dentro desse rico panorama, a presença brasileira ganhou especial destaque, tanto na Art Basel Miami quanto na Design Miami. O Brasil, conhecido por sua pluralidade cultural e suas práticas criativas inovadoras, foi representado por uma gama de artistas e galerias que exibiram trabalhos capazes de traduzir as complexidades do contexto local em uma linguagem universal. Entre os nomes de maior projeção estava Leo Lague, designer gaúcho que trouxe sua coleção Silver Dreams. Com móveis que flertam entre o funcional e o escultórico, Lague explorou materiais que carregam marcas do tempo, como aço oxidado e vidro acidado, evocando memórias do ambiente industrial de sua infância no Rio Grande do Sul.

Outra figura de destaque foi Lina Bo Bardi, cuja obra continua a inspirar gerações com sua abordagem visionária. A Galeria Diletante apresentou sua icônica Poltrona Bowl, reinterpretada em fibras naturais utilizando técnicas artesanais brasileiras. Além disso, peças como as poltronas Paulistana e Brasiliana e o carrinho de chá reafirmaram a relevância do legado de Lina, que combina simplicidade estrutural e inovação estética. Suas criações, ainda hoje, dialogam com o espírito modernista e com a busca por funcionalidade em harmonia com a expressão artística.

O Instituto Campana também brilhou ao apresentar a série Peludinho, composta por bancos feitos de madeira e retalhos de lã reaproveitados de coleções anteriores. A obra, exposta no estande da prestigiada Friedman Benda, de Nova York, demonstrou um compromisso claro com a sustentabilidade e com a reinvenção de materiais, ao mesmo tempo em que arrecada fundos para o desenvolvimento do Parque Campana no interior de São Paulo. Essa iniciativa, que une design e responsabilidade social, reforça o papel da arte como motor de transformação.

Estudio Campana, Peludinho

 

Outros talentos brasileiros, como Paola Müller e Michell Lott, trouxeram tapetes que capturaram a essência das paisagens naturais do Brasil, enquanto Inês Schertel explorou as possibilidades da lã de ovelha em suas criações contemporâneas. Já o Mercado Moderno, do Rio de Janeiro, apostou em um diálogo entre o vintage e o contemporâneo, apresentando desde peças icônicas de Joaquim Tenreiro até móveis inovadores de Rodrigo Simão.

Banco de Joaquim Tenreiro

 

A edição de 2024 também celebrou os 20 anos da Design Miami, com o tema Blue Sky, uma provocação curatorial que incentivou a experimentação e a imaginação. Glenn Adamson, responsável pela curadoria deste marco histórico, destacou como a arte e o design podem abrir novos horizontes e propor soluções ousadas para os desafios contemporâneos. O Brasil, com sua diversidade criativa e sua habilidade em equilibrar o artesanal e o tecnológico, provou ser uma peça fundamental nesse mosaico global de ideias.

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