Postagens Anteriores

5 tendências que definiram o mercado de arte em 2024

O ano de 2024 trouxe mudanças significativas ao mercado de arte, marcadas por transformações tecnológicas, dinâmicas regionais e novas linguagens artísticas. Aqui estão cinco tendências que moldaram o setor e levantam questões sobre seu futuro em 2025:

1. Dominação da Arte Pop

A Arte Pop reafirmou sua posição de destaque no mercado, impulsionada por resultados expressivos em leilões e exposições de grande porte. Obras de mestres como Andy Warhol e Roy Lichtenstein alcançaram cifras notáveis. Por exemplo, a série “Flowers” de Warhol teve vendas significativas, com “Flowers (1964)” sendo arrematada por $35.48m na Christie’s de Nova York. Exposições institucionais, como a retrospectiva de Lichtenstein no Albertina de Viena e a mostra “Pop Forever” na Fondation Louis Vuitton, destacaram a relevância contínua do movimento, apresentando ícones como Yayoi Kusama e Tom Wesselmann ao lado de artistas contemporâneos como KAWS e Jeff Koons. Esses eventos evidenciam a capacidade da Arte Pop de conectar tradição e modernidade, atraindo tanto colecionadores estabelecidos quanto novas gerações, graças à sua estética marcante e ligação com a cultura de consumo.

Catalogue Pop Forever, Tom Wesselmann &... French

 

2. Crescimento do Mercado de Arte no Oriente Médio

O Oriente Médio consolidou-se como um polo cultural emergente em 2024, com destaque para os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. A presença permanente da Christie’s na Arábia Saudita, alinhada aos objetivos do Vision 2030 de diversificar a economia e expandir os setores culturais, marcou um avanço significativo. Além disso, o fundo soberano de Abu Dhabi, ADQ, investiu US$1 bilhão na Sotheby’s, tornando-se o maior investidor minoritário da casa de leilões e fortalecendo sua presença na região. Essas iniciativas refletem um esforço estratégico para integrar o Oriente Médio ao mercado de arte global, com cidades como Dubai, Abu Dhabi e Riade desenvolvendo infraestruturas culturais para atrair artistas, colecionadores e investidores, assegurando um crescimento sustentável e elevando o perfil cultural da região.

 

3. Inteligência Artificial no ecossistema da Arte

A inteligência artificial (IA) continuou a transformar o mercado de arte em 2024, aprimorando eficiência, engajamento e inovação. A Art Basel, por exemplo, atualizou seu aplicativo com recursos de IA para a feira de Miami, oferecendo recomendações personalizadas e escaneamento de obras para informações detalhadas sobre artistas e galerias, facilitando o acesso ao conhecimento e abrindo novas oportunidades comerciais. Casas de leilão como a Christie’s utilizaram IA para acelerar catalogação e análises de mercado, permitindo insights sem precedentes sobre padrões de preços e comportamentos de colecionadores. A IA também avançou na autenticação de obras, como demonstrado pela Art Recognition, que atribuiu 96% de probabilidade a uma pintura de Rafael. No entanto, desafios persistem, incluindo acesso limitado a dados de transações privadas, disparidades regionais na implementação da IA e preocupações éticas relacionadas a direitos autorais e impacto ambiental. Apesar desses obstáculos, a IA está redefinindo o mercado de arte ao otimizar operações, melhorar a transparência e possibilitar um crescimento escalável, complementando a criatividade humana e promovendo um ecossistema artístico mais dinâmico e acessível.

 

4. Expansão do Mercado de obras acessíveis

O mercado de arte em 2024 atingiu um recorde de 132.000 transações, impulsionado pela digitalização e pela expansão proposital de bens acessíveis pelas casas de leilão. Obras acessíveis, com valores abaixo de US$5.000, dominaram o mercado, representando 82% das vendas de arte contemporânea, com destaque para edições e múltiplos de artistas renomados como Damien Hirst e Takashi Murakami. A faixa de preço entre US$5.000 e US$50.000 também demonstrou resiliência, oferecendo oportunidades para colecionadores adquirirem peças de artistas estabelecidos e emergentes. Enquanto isso, o segmento de alto padrão enfrentou uma queda de 21% nas transações acima de US$50.000, refletindo uma cautela econômica, embora obras de artistas consagrados como Jean-Michel Basquiat continuem a ancorar esse nível do mercado.

O crescente interesse por obras sobre papel, gravuras e desenhos destaca uma mudança em direção a peças únicas e acessíveis, que proporcionam uma conexão direta com o processo criativo do artista.

Esse interesse também pode ser explicado pela propensão dos colecionadores novatos, que estão procurando uma entrada mais acessível no mercado de arte, a se envolverem na compra de múltiplos.  Além disso, os múltiplos permitem que colecionadores iniciantes experimentem e criem suas coleções gradualmente, enquanto se beneficiam da valorização dessas obras ao longo do tempo. Com a digitalização, as plataformas de leilão on-line e as galerias digitais facilitaram o acesso a esses itens, tornando o mercado mais democrático e permitindo que novos colecionadores participem ativamente desse universo. Isso reflete uma mudança cultural significativa, em que a arte, antes considerada um campo restrito, agora está se tornando mais inclusiva, atraindo uma nova geração de investidores e conhecedores.

DAMIEN HIRST (B. 1965)

DAMIEN HIRST (n. 1965) Três múltiplos do artista, incluindo: Home Sweet Home, placa de porcelana serigrafada em cores, 1996; Relationships, múltiplo com bola de pingue-pongue, vidro e litografia offset, 1991; Pharmacy, litografia offset em cores sobre papelão, 1992

5. Crescimento do mercado online e engajamento profundo de colecionadores

O mercado de arte online mostrou resiliência em 2024, com um aumento de 15% nas vendas totais por galeria no Artsy, alcançando o maior patamar desde 2021. Este crescimento reflete uma maior confiança dos colecionadores em transações digitais. Ferramentas como “Alerts”, que notificam colecionadores sobre novas obras disponíveis, tiveram um aumento de uso de 48% ano a ano, indicando um engajamento mais ativo e personalizado dos colecionadores. Além disso, a comercialização de obras exclusivamente online, sem interação física, está se tornando uma prática cada vez mais comum.

Isso demonstra a crescente aceitação do mercado digital, que tem se consolidado como uma alternativa viável e atraente para a compra e venda de arte, especialmente para colecionadores que buscam praticidade e conveniência. A digitalização das galerias e plataformas tem permitido que artistas e colecionadores de diferentes partes do mundo se conectem sem as limitações geográficas tradicionais, ampliando o alcance das obras e atraindo uma base de compradores globalizada. A introdução de tecnologias como realidade aumentada e visualização 3D tem sido um diferencial importante, proporcionando aos compradores uma experiência mais imersiva e detalhada, mesmo sem estarem fisicamente presentes na galeria. Este cenário também favorece a inclusão de colecionadores iniciantes, que, com uma barreira de entrada mais baixa e um ambiente de compra mais acessível, podem explorar o mercado de arte de maneira mais flexível e segura. Com o contínuo aprimoramento dessas ferramentas digitais, espera-se que o mercado de arte online continue a crescer, consolidando-se como um pilar fundamental na dinâmica do setor.

Art Auctions Embrace a Future of Socially Distant Bidding - The New York Times

 

 

Adicionar comentário

Thaís Alexandre Leiloeira Oficial © 2023 | Todos os Direitos Reservados